O Palácio da Ajuda foi habitado durante 58 anos consecutivos.
Residência permanente da Família Real desde 1862, o Palácio Nacional da Ajuda adquire uma feição muito própria em relação aos restantes paços régios, já que a utilização destes foi, pelo contrário, intermitente, de acordo com a itinerância praticada pelos monarcas portugueses, desde a Idade Média.
Essa especificidade traduz-se, no essencial, no “recheio” que contém, herdado, quase na totalidade, do Rei D. Luís, da Rainha D.ª Maria Pia, do Príncipe Real D. Carlos e do Infante D. Afonso, que aqui viveram; a Rainha e o Infante, aliás, até ao dia 5 de Outubro de 1910.
A musealização do Palácio estava assim facilitada, pois o acervo já existia e a casa estava “montada”, não obstante ter sofrido alterações nos anos 50 e 60, segundo critérios adoptados pelos anteriores conservadores/ directores, alguns dos quais pouco entendíveis aos olhos da prática museológica actual.
Nos finais dos anos 80 iniciaram-se os trabalhos de reconstituição histórica do Palácio.
Havia, por isso, que levar a cabo todo um trabalho de reconstituição histórica dos espaços para, na medida do possível, repor tudo como estava no período em que foi habitado por aqueles monarcas e príncipes. Tal tarefa foi iniciada há mais de vinte anos e constituirá por certo, no futuro, um objectivo vital para os que cá trabalharem.
A memória do Paço da Ajuda não se esgota, porém, nesta segunda metade do século XIX e início do século XX. Ela tem de recuar forçosamente ao primeiro terço da centúria, para incorporar outras personalidades e, portanto, outras vivências. Na verdade, esquecer o Príncipe Regente D. João – depois D. João VI – e a Rainha D.ª Carlota Joaquina seria um acto de flagrante injustiça, já que seria esquecer os verdadeiros patronos do Palácio, sobretudo ele, que o mandou erigir para sua habitação e de sua família.
Nos últimos vinte e sete anos, o Palácio Nacional da Ajuda cultivou toda uma política vigorosa de aquisições e doações, norteada por critérios definidos a partir da realidade histórica que o envolve, justificados pelo que acima ficou dito. Assim sendo, interessam ao Palácio peças que se relacionem com:
- O edifício – sua concepção, edificação, decoração e respectiva iconografia;
- As personalidades envolvidas – patronos, habitantes régios, responsáveis pela obra, artistas e iconografia correspondente;
As obras de arte que perteceram às colecções da Casa Real têm vindo a ser recuperadas através de acções de mecenato e doações.
- As peças – obras de arte que lhe pertenceram e que nos últimos anos têm vindo a ser recuperadas através da aquisição em leilão, bem como aquelas que de alguma forma, se relacionem com ele ou com as pessoas a ele associadas.No que concerne a aceitação de doações particulares, este foi um critério desde sempre justificado no âmbito do já muito antigo projecto do Museu de Artes Decorativas. Equipamento contemplado pelo plano arquitectónico das obras de remate da zona poente do edifício.